Método sistêmico

Também chamado de “O Curso do Pensamento Sistêmico”, o método sistêmico é um conjunto de passos para endereçar uma situação complexa ou problema. São 10 passos que são orientados pela árvore da percepção para que seja mais fácil e orientado o uso do Pensamento Sistêmico. Aí vão os passos que você dará:

  1. Definir uma Situação de Interesse
  2. Apresentar a História por meio de Eventos
  3. Identificar as Variáveis Chave
  4. Traçar os Padrões de Comportamento
  5. Desenhar a Estrutura Sistêmica
  6. Identificar Modelos Mentais
  7. Visualizar Cenários
  8. Modelar em Computador
  9. Presenciar o Todo e Criar Visão de Futuro
  10. Definir Pontos de Germinação e Liderar para Auto-organização

Veja um extrato do livro O Curso do Pensamento Sistêmico.

O Método Sistêmico

Neste texto você vai ter uma noção de como construir um roteiro de viagem num curso de Pensamento Sistêmico. Aqui vamos conhecer um dos seus elementos centrais para isto: o método sistêmico. Para descrevê-lo, optamos por, primeiramente, apresentar a metáfora que norteia o método. Ela é a árvore da percepção. Em seguida estão descritos os passos do roteiro e, por fim, o método é ilustrado por meio de um caso. Aproveite!

A Árvore da Percepção

O método sistêmico é um processo que vem se desdobrando e evoluindo com seu uso continuado. Ele nasce com o campo da Dinâmica de Sistemas, mas teve sua primeira versão simplificada publicada por Senge em 1995.

Veja “Começando com Narração de Histórias” em SENGE, Peter., KLEINER, Art, ROBERTS, Charlotte, ROSS, Richard & SMITH, Bryan J. A Quinta Disciplina – Caderno de Campo. Rio de Janeiro, Qualitymark, 1995, p.91.

O método sistêmico parte da noção de que os frutos de uma árvore chamam nossa atenção. Os frutos são os problemas, desafios estratégicos ou situações complexas com que nos deparamos. Observamos o fruto e vemos como ele se dirige ao chão, pois reconhecemos a lei da gravidade. Tais frutos, pelo seu aspecto, nos atraem, e tornamo-nos ávidos por pegá-los, fatiá-los e devorá-los. Esta é a postura intuitiva provocada pelo pensamento mecanicista.

Porém, não nos tornamos cientes de que este fruto em específico tem a mesma natureza dos demais daquela árvore e de árvores semelhantes. Não nos conscientizamos de que tais frutos são o resultado de processos inter-relacionados por enormes teias de vida. E não reconhecemos que, mais importante que saber por que o fruto cai, é saber como ele “sobe”. Os processos “escondidos” que fazem um fruto subir até a copa da árvore. Se mudarmos nossa maneira de “ver” o mundo e seus “frutos”, reconheceremos como os problemas, desafios e situações complexas formam-se em camadas invisíveis. Seremos mais capazes de reconhecer a ampla rede que os formam e veremos que não estamos sozinhos no mundo. […]

No nível visível, da realidade expressa, temos diante de nós a complexidade. Um mundo complexo de situações que exigem nossa atenção. Ficamos à mercê de sinais visíveis para reagirmos às situações. É a percepção dos “eventos e artefatos”

A visão de eventos e artefatos é útil, pois nos permite agir com rapidez, mas é enganosa, pois não avalia os padrões e formas que originam os eventos e artefatos da realidade concreta. Somente no nível dos padrões e formas podemos reconhecer os movimentos e o longo prazo, nos permitindo ser mais responsivos e menos reativos. Isto porque surgem indicativos de como, no longo prazo, se pode responder às tendências de mudança. A percepção dirige-se para padrões, relativiza o evento e passa a ver um movimento mais amplo, mais inclusivo de porquês. Você transfere a atenção do fruto para o conjunto de frutos, para os diferentes estágios de amadurecimento e ciclo de vida e para a existência de quantidades maiores de frutos, semelhantes e diferentes, ao longo de todo o pomar.

O nível em que passamos a ter maior dificuldade em perceber é o da estrutura. Esse nível indica o que causa os padrões de comportamento, buscando explicar como as variáveis de uma realidade complexa influenciam-se mutuamente em padrões de interação.

Apesar desta dificuldade, este nível de ilustração é mais rico e que permite melhores intervenções em termos de mudança. As explicações estruturais nos levam a compreender as causas da formação dos padrões de comportamento num nível em que eles podem ser fundamentalmente modificados. A estrutura influencia o comportamento. Mudança na estrutura provoca mudança no padrão de comportamento. Esta percepção libera a capacidade para ações criativas. Mapas sistêmicos são a base para o reprojeto do sistema.

Ocorre, no entanto, que a estrutura sistêmica da realidade é também apenas uma representação temporária acomodativa dos padrões de interação. O que é fundamentalmente mais perene e que origina a estrutura é o processo subjacente que a produz. Processos autoprodutores são o aspecto essencial da formação das estruturas. Um rio, enquanto sua estrutura explícita, é, conforme já demonstrava o filósofo grego Heráclito, manifestação de processos implícitos permanentemente em fluxo. Desta forma, o reconhecimento do processo traz a consciência da estrutura.

Que tipos de estruturas e processos precisamos para lidar com a realidade complexa? Um mundo dinâmico e inter-relacionado demanda estruturas e processos fluídicos com requisitos tão variados quanto a própria realidade. Num mundo mecânico, sistemas organizativos mecânicos podem ser adequados, mas num mundo complexo, sistemas dialeticamente complexos, fluídos, coesos e descentralizados são necessários. Sua estrutura é a da rede e seu processo formativo é o da auto-organização.

Até aqui vimos que qualquer sistema, seja ele natural ou social, pode ser explicado por esses níveis. Porém, nos sistemas humanos há um nível de percepção adicional. As estruturas e processos da realidade humana são construídos tendo por base o que as pessoas carregam em suas mentes. Os pensamentos e as linguagens são os responsáveis pelas estruturas e processos que os seres humanos constroem, seja nas cidades, nas comunidades, na família, bem como nas organizações.

Neste nível, reconhecemos os modelos mentais que geram o mundo humano. Assim, é preciso identificar como as linguagens, os pensamentos e os modelos mentais geram ou influenciam as estruturas em jogo, para que seja possível compreendê-las e modificá-las. A compreensão de modelos mentais proporciona a capacidade para ações reestruturadoras de uma maneira profunda. Proporciona a capacidade de um repensar mais profundo. Este repensar, esta nova percepção, em um mundo complexo em rede e auto-organizativo, exige processos de pensamento e linguagens genuinamente sistêmicos.

Os passos do método sistêmico tratam de permitir um mergulho nos níveis da árvore da percepção. Também apoiam o processo de aprender e sistematicamente aplicar a linguagem sistêmica, de modo que ela possa tornar-se uma ferramenta que opera no nível subconsciente.

O método sistêmico é não somente um processo de contemplação e reconhecimento dos níveis mais profundos da realidade, mas também cocriação. Por meio dele, coletivamente desenvolvemos a capacidade de ação generativa e criativa, no intuito de lançar sementes para um novo mundo.

 

As ideias sobre “presenciar o todo” e sobre o processo de ação em forma de “U” vêm das obras SENGE, Peter., JAWORSKI, Joseph., SCHARMER, C. Otto., FLOWERS, Betty Sue. Presença – Proposito Humano e o Campo do Futuro. São Paulo, Cultrix, 2007 e SCHARMER, Otto. Teoria U – Como Liderar pela Percepção e Realização do Futuro Emergente. Rio de Janeiro, Campus, 2010.

Depois de reconhecer os modelos mentais, nos envolvemos numa jornada de visualizar o futuro emergente, visualizando cenários e simulando novos processos e estruturas. A partir desta visualização, nos conscientizamos de um futuro que “almeja emergir”. Então empreendemos um processo de presença neste futuro emergente, de sentir e meditar sobre o Todo transcendente. Isto nos renova para subir novamente em direção à ação concreta, o que implica criar uma visão comum de futuro, desenvolver e aprender novas ideias norteadoras que serão os pontos de germinação de novos processos, novas estruturas e de uma nova realidade. […]

Cada passo provoca aprendizagens mais profundas. Cada passo gera produtos que são usados como entrada nos próximos passos. […]

Deixe-nos ajudar a aplicar o método sistêmico por meio de nossa facilitação.

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